Sexta carta - Ignácio de Loyola


Bem-vindos ao blog e ao convite para ler as cartas de amor inspiradas nas histórias que ouço todos os dias em meus atendimentos astrológicos, nos encontros da vida, e em minhas próprias experiências. Para quem quer saber mais sobre elas, veja o post da primeira carta no link: 
http://ferzanini.blogspot.com.br/2015/10/as-cartas-de-amor.html


Sexta carta - 12/10/15 

Inspirada em uma conversa com uma amiga sobre Ignácio de Loyola.





Amor,

Estou tão reflexiva, assistindo minha mente divagar sobre a morte, o tempo, e a transitoriedade. Acho que hoje não consigo ser poesia.
Sabe, eu tenho muitos amigos não vivos, não posso chamá-los de mortos porque são tão presentes que muitas vezes conversamos mais do que costumo conversar com muitos dos considerados viventes. Não se assuste amor, não vejo fantasmas, não os escuto, mas leio histórias trazidas a mim pelo vento que carrega na memória o tempo. Um dos meus amigos mais próximos é Ignácio de Loyola, acho que nos aproximamos por gostarmos dos mesmos lugares e cuidamos das mesmas pessoas (risos). Com ele tento aprender como deixar ir, como matar conscientemente tudo aquilo que me afasta de um estado de plenitude, mas confesso que não está nada fácil.
Você sabia que Ignácio era de família nobre e que lutou algumas guerras? Ele foi ferido em uma delas e ficou muito tempo em recuperação e a única coisa que tinha para fazer era ler, e os livros que lhe deram era sobre a vida dos santos, e embora não tivesse interesse neles acabou sendo encantado e chamado ao tal estado de plenitude ao qual me referi acima. Ignácio chegou à conclusão de que se essas pessoas, que haviam sido de carne e osso, conseguiram encontrar refúgio no Ser ele também poderia conseguir (outro ponto onde concordamos), e assim começou sua jornada.
Na época ele amava muito uma mulher, mas percebeu que esse amor romântico comparado ao amor dos santos por Deus era efêmero, e teve a coragem de deixá-lo ir, e é aí que em nossas conversas acabamos nos demorando, pois pergunto a ele: Como? O que fez para conseguir? Embora, eu saiba como e o que ele fez.  Ele entende que quando lhe pergunto isso estou lembrando de seus olhos, meu amor, e na verdade querendo lhe perguntar de onde saiu a coragem para deixar ir. Ignácio, simplesmente, sorri como fazem todos aqueles que já são a Paz, confesso que as vezes me irrito, e ele sorri ainda mais, se divertindo. Então, ele me diz que devo abraçar o tempo, a morte e a transitoriedade, me perder no labirinto de seus olhinhos caídos, para que então, a necessidade de encontrar o caminho de volta me faça chegar ao centro do coração Daquele que É em todos nós.

Não sei bem, meu querido, porque te disse tudo isso. Acho que hoje estou com saudades de Deus. Mas você me torna tão humana...

Sua,

Eu

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